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Joaley Almeida

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Nascido em Brasília, em 1980, é o terceiro de cinco irmãos, filhos do baiano Joacy Teles Lemos (autônomo) e da goiana Suely Rosa de Almeida Lemos (doméstica). Compartilhando desde o cedo com meus irmãos o gosto e as habilidades pelas artes, Joaley foi o único a assumir esse caminho como profissão. Os primeiros contatos com a arte a memória não alcança. Na lembrança, a influência do irmão mais velho o conduziu a ler “Volta ao mundo em 80 dias”, “Viagem à Lua” e “O Sítio do Pica Pau Amarelo”, com aventuras fantásticas que chegaram como verdadeiros êxtases.

Em 2004, iniciou-se no teatro com o diretor Zé Regino, em Ceilândia (DF), resultando na peça “Crômicas”. No ano seguinte, trabalhou com o grupo de palhaços Galpão do Riso, em Samambaia (DF). Dirigido por João Porto Dias, montou com o grupo o espetáculo “Prelúdio dos Anjinhos” e, com a direção do espanhol Carlos Laredo, montaram “Terra Vermelha”. Em 2005, Joaley aceitou o convite de Carlos Laredo e montou o solo “Un ser sin nombre”, trabalho que o levou à Espanha em 2006, onde vivenciou aprendizados sobre mitos gregos e arte clássica em museus de Madri.

De volta ao Brasil, foi vivenciar experiências com grupos de cultura tradicional com os quais já tinha tido breve contato. Passou seis meses em Juazeiro do Norte (CE), com a família mambembe Carroça de Mamulengos. Brincantes de reisado, palhaços e artesãos populares foram as inspirações dessa época. O nordeste brasileiro se tornou, então, a sua principal escola. A partir de 2007, as viagens pra lá se tornaram constantes, com o desafio de permanecer seis meses em cada uma.

Em Pernambuco, Joaley aprendeu uma profissão com Mestre Zé Lopes e suas esculturas de bonecos de mamulengo e a inteligência em criar mecanismos. Com Mestre João do Pife, aprendeu a tocar o instrumento que o ajudaria tempos depois a sobreviver numa viagem sem recursos. No Rio de Janeiro, na cidade de Paraty, viveu do trabalho de poeta de rua, conhecendo artistas, ouvindo ideias e sonhos confessados no vento por quem chegava e partia. Sorrisos, choros, amores, tudo crescia e se juntava ao novo homem, ao artista que se formava.

Em 2009, na cidade de Taguatinga (DF), Joaley acolhido pelo grupo Mamulengo Presepada, dirigido por Chico Simões. Com eles, organizou o espaço criativo Invenção Arte e Ofício, buscando na tradição popular um diálogo com o fazer urbano. No mesmo ano, montou o grupo musical Forrolengo, com Andressa Ferreira e Kika Brandão, integrantes do grupo Zé do Pife e as Juvelinas. Durante três anos, brincaram mamulengo em viagens pelo país, encontrando mestres, artesões e criadores, intercalando com as produções do espaço criativo.

Ainda hoje, de dezembro a março, Joaley continua a viajar anualmente pela Zona da Mata Pernambucana, acompanhando cavalos marinhos, mamulengos e maracatus rurais. Também participa de trabalhos de bordado entre os caboclos e das brincadeiras, ouvindo a poesia e a prosa da tradição. Foi em uma dessas viagens, em Lagoa de Itaenga, que conheceu Mestre Zé de Vina, a inspiração que o ajudou a conceber a brincadeira “Baiano pra Mamulengo”, em 2012.

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A vivência é mesmo eterna! O trabalho hoje é sempre voltar a ver a tradição que tanto me ensina. Criar laços, aprender, produzir arte, conviver com pessoas simples, que me dão significados e lições humanas profundas. Sem a luz dessas pessoas, sou um dia sem sol.

Joaley Almeida

 


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